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junho 01, 2009
DO RUI(M) RIO, A BORRASCA

Brian Stewart
Sol entre nuvens. Temperatura amena. Propícia a algodão leve em forma de vestido. Atrevido. Mas era de Maio que te quero Maio o tempo. Indeciso, talvez soalheiro, talvez de chuva como cumpre à outra cidade que amo: o Porto. Gotas de água caídas do alto viriam, tarde descida, a escorrer no pára-brisas.
Ainda Inverno, dia de temporal que Portugal sentiu de lés-a-lés, rejeitara convite para a inauguração da movida das artes de cor e formas. Lugar: Miguel Bombarda. Rui Rio anunciara festança. Copos e espectáculos de rua. Porque de bodo aos pobres desconfio, porque mais e melhor me circunscrevia a Lisboa, renunciei ao fim-de-semana nortenho. Não me arrependi.
Roeu a ignorância do centro inovador. Cedi. Online, que o saldo convence, marquei poiso no da Boa-Vista _ lugar de muitos ontens e prováveis amanhãs. Anotei requisitos. Obtive o esperado e mais. Também pelos mimos, não deslustrei opinião da hospitalidade bem dita. Feito o check-in, disposta à telepatia feiticeira da cidade, fui ao roteiro traçado.
Destino: Palácio de Cristal _ a Rosa Mota que me desculpe, mas não despego da arquitectura de granito, ferro e vidro, cópia do Crystal Palace Londrino. De mil oitocentos e tal, construído à ordem d’el Rei D. Luís, também o jardim. Na biblioteca, simulada prolongamento de troncos verdes, acontecia vida e ocupação e mostra de pintura. Obras pendulando entre o bom e o péssimo. Anotei-as no preçário, que a memória é bem escasso.
Atravessada a rua e depois da Torre da Marca, a Miguel Bombarda. Desolada. Galerias vazias de gente. Assistente com quem falar? Invisível. Chão de cimento estalado. Dependuradas, tarjetas azuis como restos de campanha eleitoral. Quatro pinturas do Calapez e um “Miró” de Nikias Skapinakis disfarçaram a fome.
Dizem que os livreiros da Invicta desejam concentração em bairro próprio. Animado. Dia do conto, da poesia, da ficção, et cetera e tal. A Lello a favor, outros contra. Se no bairro a obra feita for semelhante à da Miguel Bombarda, que os deuses estejam alerta. Se Rui Rio abençoar, espero borrasca.
Saudei a “Árvore” e o Passeio das Virtudes, a curva moldura do rendilhado da Arrábida. Lembrei o meu pai de mão dada com a pequenita a quem ensinou o amor pelo Porto óbvio e escondido. Arrecadei cerâmicas do Espiga Pinto, do Sá Nogueira e do António Bronze. Valeu!
Publicado por Teresa C. às junho 1, 2009 02:47 PM
Comentários
bem, sempre é um pequeno mas substancioso guia do Porto que importa conhecer...
;->>>
Publicado por: António às junho 1, 2009 11:36 PM
a Miguel Bombarda só bumba nos dias de inaugurações simultâneas, de tres em tres meses. Aí sim, tem movida, porque cheira a lugar onde se pode ver e ser visto.
Quanto ao quarteirão dos livros ( clérigos, Galeria de Paris, Ceuta) bumba mais no verão e já há bares nas imediações, e lojas Gourmet, movidas pelo cheiro da clientela jovem ( e fácil). Volta e meia tem festivais de dois dias, onde já ouvi Tornados e Irmãos Catita.
Publicado por: Oleg karpov às junho 1, 2009 11:58 PM