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junho 08, 2009

MUDANÇA DE CASA

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Desde o dia seis de Junho que este blog tem novo endereço:
http://sempenisneminveja.blogs.sapo.pt/

A todos os leitores que por aqui sempre me acompanharam sugiro visita à casa nova. Portas abertas como sempre.

Não é um adeus. Apenas informo que estou no quarteirão ao lado.

Até já e até lá.

Publicado por Teresa C. às 06:10 PM | Comentários (3)

junho 05, 2009

DO MULHERIO E DE TIAN’ANMEN, O REGISTO

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Steve Hanks

Fala do mulherio com ternura e sentimento de pertença. Não considera pejorativo o termo. Ao utilizá-lo significa grémio. Associação que o género, mais do que o sexo, determina. Interesses corporativos dispersos. Patronais fora de questão.

Mulherzinha é coisa outra. Pessoazinha. Refere o lado menor que cada humano tem. Que ela possui. Irrompe quando a racionalidade baixa a cancela e o comboio da emotividade avança sem apitar. Comete disparates. Pior: deles tem consciência e nubla o sentido crítico. Por tudo gosta de si, ainda mais por não ser pedregulho granítico, mas vulnerável e igual às outras mulheres. Às outras pessoas. Aprende com os erros. Dá a mão à palmatória. É leoa quando julga assistir-lhe razão, seja lá o que isso for para os demais. Decisiva para ela. Retrato incompleto da Teresa C. Que a poucos interessa, mas lhe importa por pensar também publicamente.

Ontem, no balanço do dia como reza que a si própria deve, pensou:
_ O mundo só acontece se for notícia.

Lembrou o 4 de Junho de 1989 na Praça da Paz Celestial. Tian’anmen nome de sítio e de protesto de intelectuais e trabalhadores revoltados com o regime corrupto e repressivo chinês. Até hoje, por saber a identidade e o paradeiro do jovem "rebelde desconhecido". Eleito pela Time como uma das personalidades mais influentes do século passado.

Genocídio arménio, cambojano, no Ruanda. Conflito em Darfur. A demografia dos povos indígenas das Américas, o massacre de Nanquim, a marcha dos tibetanos. Épocas/dores. Não havendo registos, aqueles mundos seriam nadas. Arquivados por falta de provas. Como a conivência portuguesa com o transporte de prisioneiros para Guantánamo. Sem filme e repórter não existiu.

CAFÉ DA MANHÃ


Publicado por Teresa C. às 11:14 PM | Comentários (0)

junho 04, 2009

PERSONA E DESCARTE

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Denise Nielsen

Nesta sociedade do descarte, um terço do comprado vai para o lixo. Adquirimos pela precariedade do gosto subordinado à moda. Obedecendo ao sugerido/imposto como in & out, que o out vá porta fora, que desapareça, que não fira a imagem do estatuto real ou iludido, que não entupa a persona actual. Persona máscara, função psíquica das relações, virada ao exterior pela procura de aceitação social. Oposta à anima que regula o íntimo e o faz valer. Na “Psicologia Analítica”, Jung esclareceu isto e muito mais.

É falado o desperdício. A energia consumida para fabricar um bem, a curto ou médio prazo destituído da função original. Energia morta porque o aterro é final. Irrecuperável.

Sem que saudosismo balofo motive a reflexão, é ido o tempo da poupança, dos bens durarem tempos a fio, serem renovados, adaptados e, durante muito tempo, aproveitados.

Podemos substituir lâmpadas incandescentes por outras de baixo consumo. Preferir a bicicleta e andar a pé. Reciclar embalagens, vidros e papel. Comprar electrodomésticos energeticamente económicos. Porém, ou pensamos a justeza do acto de comprar ou o dispêndio de energia para produzir o bem foi inútil. Gasta. Jamais reposta.

Publicado por Teresa C. às 11:52 AM | Comentários (3)

junho 03, 2009

FOTOGRAFIA DE FAMÍLIA

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Elvgreen

No dia 7, menos de um quarto dos portugueses tencionam votar nas eleições para o Parlamento Europeu. Ocupam o quarto lugar na lista dos países abstencionistas. A dianteira pertence aos polacos, ingleses e austríacos.

A Europa, instituição forte a nível mundial, presente na vida dos cidadãos que abrange, não lhes motiva sentimento de pertença ou empenho na causa comum. Alheados, desbaratam o direito ao voto. Desistem de intervir no destino desta Europa a muitos. Não crêem na vontade dos políticos e dos partidos que lhes suscite o desejo de colocar uma cruz no boletim, depois colocado na urna.

Não há sucesso sem esforço, democracia sem eleições. Movimento conjunto dos partidos concorrentes às Parlamentares Europeias de 2009 que apelasse ao voto seria mudança capaz de rasgar a indiferença e credibilizar a classe política. Em vez dos chavões usuais nos cartazes e spots publicitários que poluem vista e ouvidos, que chegue um apelo comum dos cabeças de lista de cada uma das candidaturas. Fotografia de família entusiasmada na luta por ideais. Destes, o cidadão anónimo, pela diferença de atitude, talvez quisesse saber.

CAFÉ DA MANHÃ

Publicado por Teresa C. às 09:49 AM | Comentários (2)

junho 02, 2009

PARVOÍCES EMERGENTES

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Jan Bollaert

Emergentes sociais. Conhecidos pelo deslumbre dos estereótipos de bem ser e melhor parecer, segundo cânones que desconhecem e julgam absorver. Garanto: deslumbrados intelectuais são piores. Não copiam, porque incapazes. Não adiantam por falta de saber. Por falarem ao telefone, num “tu cá lá tu lá" ocasional, escreverem e-mails com mestres, julgam-se _ ledo engano! _ par ente pares.

Intelectos provados, e porque o necessário para comprar amendoins a todos falta mais e mais, lambuzam, se bem que sobranceiros, quem lhes acrescenta proventos. Tolo este, espertalhões, aqueles. Sorridentes, todos.

O emergente ignora não estar entre pares. Descura espíritos sãos e dedicados. Ingenuidade? Nem um pouco! A contabilidade de merceeiro fala alto. Valores? Para que os quero não sendo rentáveis? Números e momices valem mais. É figura menor quem acredita, de alma e corpo feito à luta, em projectos/utopias. Paixões que mobilizam e mudam e repensam vidas. Do actor.

Foste generoso sem retorno à vista? Atitude com nome – parvoíce. Pior: não é descoberta pelo próprio sem que a soma de dois com dois fuja da proclamada gratidão infinita. Que nunca houve e não há.

Publicado por Teresa C. às 10:23 PM | Comentários (4)

junho 01, 2009

DO RUI(M) RIO, A BORRASCA

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Brian Stewart

Sol entre nuvens. Temperatura amena. Propícia a algodão leve em forma de vestido. Atrevido. Mas era de Maio que te quero Maio o tempo. Indeciso, talvez soalheiro, talvez de chuva como cumpre à outra cidade que amo: o Porto. Gotas de água caídas do alto viriam, tarde descida, a escorrer no pára-brisas.

Ainda Inverno, dia de temporal que Portugal sentiu de lés-a-lés, rejeitara convite para a inauguração da movida das artes de cor e formas. Lugar: Miguel Bombarda. Rui Rio anunciara festança. Copos e espectáculos de rua. Porque de bodo aos pobres desconfio, porque mais e melhor me circunscrevia a Lisboa, renunciei ao fim-de-semana nortenho. Não me arrependi.

Roeu a ignorância do centro inovador. Cedi. Online, que o saldo convence, marquei poiso no da Boa-Vista _ lugar de muitos ontens e prováveis amanhãs. Anotei requisitos. Obtive o esperado e mais. Também pelos mimos, não deslustrei opinião da hospitalidade bem dita. Feito o check-in, disposta à telepatia feiticeira da cidade, fui ao roteiro traçado.

Destino: Palácio de Cristal _ a Rosa Mota que me desculpe, mas não despego da arquitectura de granito, ferro e vidro, cópia do Crystal Palace Londrino. De mil oitocentos e tal, construído à ordem d’el Rei D. Luís, também o jardim. Na biblioteca, simulada prolongamento de troncos verdes, acontecia vida e ocupação e mostra de pintura. Obras pendulando entre o bom e o péssimo. Anotei-as no preçário, que a memória é bem escasso.

Atravessada a rua e depois da Torre da Marca, a Miguel Bombarda. Desolada. Galerias vazias de gente. Assistente com quem falar? Invisível. Chão de cimento estalado. Dependuradas, tarjetas azuis como restos de campanha eleitoral. Quatro pinturas do Calapez e um “Miró” de Nikias Skapinakis disfarçaram a fome.

Dizem que os livreiros da Invicta desejam concentração em bairro próprio. Animado. Dia do conto, da poesia, da ficção, et cetera e tal. A Lello a favor, outros contra. Se no bairro a obra feita for semelhante à da Miguel Bombarda, que os deuses estejam alerta. Se Rui Rio abençoar, espero borrasca.

Saudei a “Árvore” e o Passeio das Virtudes, a curva moldura do rendilhado da Arrábida. Lembrei o meu pai de mão dada com a pequenita a quem ensinou o amor pelo Porto óbvio e escondido. Arrecadei cerâmicas do Espiga Pinto, do Sá Nogueira e do António Bronze. Valeu!


CAFÉ DA MANHÃ

Publicado por Teresa C. às 02:47 PM | Comentários (2)